
Marcas se preparam para o Answer Engine Optimization, a era em que a inteligência artificial não apenas recomenda, mas decide a compra
O ecossistema de publicidade e tecnologia acaba de entrar em uma nova era. Se na última década as marcas investiram fortunas para lutar pelo topo das buscas do Google através do tradicional SEO (Search Engine Optimization), a batalha de agora é outra: ser a resposta exata e prioritária de uma Inteligência Artificial. Durante o MAMA São Paulo 2026, principal evento da AppsFlyer, uma Modern Marketing Cloud, o conceito de AEO (Answer Engine Optimization) foi cravado como o novo padrão de sobrevivência para o varejo e o marketing digital.
A profunda transformação é detalhada por Renata Altemari, General Manager LATAM da AppsFlyer. Segundo a executiva, a IA resolveu o antigo gargalo de produção das empresas de tecnologia: hoje, mais de 25% da programação global já é feita por IA e o lançamento de novos aplicativos cresceu 24% no último ano. Como resultado, o mercado foi inundado, criando a maior disputa por atenção da história.
“Estamos vivendo o início de um futuro agêntico”, explica Renata. “Hoje, o consumidor já usa a IA para pesquisar o melhor eletrodoméstico com base em seu orçamento e espaço. Logo, teremos agentes de IA colaborando entre si, o agente do consumidor negociando com o agente do varejista para tomar decisões e finalizar compras. Esse touchpoint não existia antes, mas hoje ele é crucial na jornada.” Dados de mercado apresentados revelam que 90% das empresas de varejo no Brasil já investem e querem aumentar a adoção de IA em suas operações.
O que é o AEO na prática e como estruturar a sua marca?
O AEO (Answer Engine Optimization) é a otimização de produtos e conteúdos para “motores de resposta” operados por IA. Diferente do SEO, focado em palavras-chave engessadas, o AEO exige que as empresas preparem as suas informações para interações hiperpersonalizadas. O usuário deixou de jogar a palavra “creme” em um buscador; agora, ele relata um problema contextual, como “minha pele está ressecada”, e a IA vasculha a web em busca da melhor solução.
Para que as marcas se tornem a principal recomendação da IA, elas precisam aplicar as seguintes diretrizes:
- Dados Universais e Estruturados: A IA precisa ler e acessar a base da empresa sem barreiras. As informações devem funcionar como uma fonte da verdade.
- Contexto Semântico do Produto: As descrições não podem focar apenas nas especificações técnicas. É preciso nutrir o site com contextos reais (“batom que dura mais durante uma palestra”), alinhando-se às dores que o consumidor confidencia à IA.
- Fim do “Último Clique”: Abandonar a mensuração arcaica e adotar dados normalizados (como data clean rooms) para entender o peso real que a IA teve na descoberta da marca ao longo de uma jornada pulverizada em múltiplos dispositivos.
“Assim como a gente otimizava para estar no topo da busca de links patrocinados, as empresas agora precisam de bases de dados estruturadas, confiáveis e universais para serem a prioridade na busca do agente de IA”, alerta Renata Altemari. A executiva dá um aviso final sobre os riscos da desorganização informacional: “A IA vai amplificar a sua estratégia. Se ela operar em cima de uma base de dados falha, a estratégia vai ser falha em uma escala muito maior do que vemos hoje. Mensuração e neutralidade de dados deixaram de ser uma commodity para ser o maior diferencial estratégico de quem vai vencer essa corrida.”