
Pesquisa da Jitterbit aponta avanço em escala e mostra que 80% das companhias vão ampliar automação
Em todas as regiões do Brasil, a responsabilidade da IA (59%) é o principal fator determinante nas decisões de compra, demonstrando a crescente importância da segurança, auditabilidade, rastreabilidade, salvaguardas e controles de uso responsável para a era dos agentes. Os dados são do relatório 2026 Jitterbit AI Automation Benchmark, baseado em entrevistas com 501 tomares de decisão de TI no país.
O Brasil já opera em escala. As empresas avançam além dos testes e estruturam ecossistemas de agentes, com média de 32 agentes por organização e projeção de 42 até 2027.
O movimento ganha tração com investimento. Mais de 80% das empresas pretendem ampliar seus orçamentos de IA e automação nos próximos 12 meses, com destaque para aumentos acima de 25%. Curiosamente, o orçamento não aparece como principal entrave: apenas 17,8% o citam como obstáculo.
Com 9% das empresas operando mais de 100 agentes autônomos, quatro vezes a proporção dos Estados Unidos, o Brasil começa a redesenhar o mapa global da inteligência artificial corporativa.
Enquanto cresce o grupo de empresas com mais de 100 agentes, que deve saltar de 9% para 14% no próximo ano, encolhe a base ainda restrita a iniciativas pontuais. A fatia com apenas um a cinco agentes deve cair pela metade, de 22% para 11%, indicando uma migração clara para operações estruturadas.
Em entrevista ao Falando Tech, durante o VTEX Day 2026, Marcos Oliveira Pinto, Global Software Engineer da Jitterbit, revelou que “as empresas estão adotando ‘guardrails’, que são limites claros para a atuação da IA, evitando respostas imprecisas ou fora de contexto. O uso de arquiteturas com múltiplos agentes especializados cresce, em vez de um único agente para tudo, o que melhora controle, rastreabilidade e segurança”.

No Brasil, 5% das empresas já conseguiram levar projetos de IA do piloto para produção em escala. O avanço contraria a narrativa de que mercados emergentes enfrentam mais barreiras na adoção tecnológica.
O que impulsiona esse ciclo é eficiência. Ganhos de produtividade de desenvolvedores (49%) e aceleração do time to market (47%) lideram a lista de motivadores. Não por acaso, velocidade de implementação se tornou o principal critério de decisão tecnológica para quase metade das empresas.
Na prática, o avanço acontece sobre uma base pragmática: 35% das organizações priorizam soluções SaaS com IA embarcada, seguidas por plataformas low-code e no-code (30%). Também chama atenção a adoção de vibe-coding, desenvolvimento via linguagem natural, já presente em 22% das empresas brasileiras, acima de mercados como Reino Unido e Estados Unidos.
Os impactos já se concentram em áreas-chave do negócio. TI lidera em geração de valor (63%), seguida por atendimento ao cliente (43%), marketing (43%) e finanças (32%).
Apesar da expansão acelerada, o avanço vem acompanhado de maior rigor. Para 59% das empresas, a responsabilidade da IA, que envolve segurança, rastreabilidade e governança, é o principal fator de decisão na escolha de fornecedores, superando preço e reputação.
Segundo o especialista, o principal desafio é a orquestração. “À medida que os agentes se multiplicam, sem uma arquitetura bem definida, aumenta o risco de perda de controle e complexidade na manutenção. O foco agora é escalar com governança, garantindo coordenação eficiente entre os agentes e integração com sistemas existentes”.
Ainda assim, os desafios permanecem. Segurança e conformidade regulatória lideram as preocupações (42%), seguidas pela integração com sistemas legados (36%). Em regiões como o Sul do país, a governança de dados já é apontada como principal gargalo para avançar além dos pilotos.
O dado final reforça o momento: 43% das empresas brasileiras esperam retorno financeiro elevado no curto prazo, enquanto a taxa de insucesso em projetos de IA se mantém baixa, em 4%.