Mesmo com fibra óptica, por que a internet cai tanto no Brasil?
Mesmo com a expansão da fibra óptica no Brasil, usuários enfrentam quedas e lentidão. Entenda por que a internet ainda é instável
Mesmo com a expansão da fibra óptica no Brasil, usuários enfrentam quedas e lentidão. Entenda por que a internet ainda é instável

O mercado de banda larga segue acelerado: entre abril e junho, foram ativadas 3,5 milhões de novas conexões de fibra óptica residencial (FTTH), segundo o estudo The State of Business in Latin America. O movimento levou a tecnologia a quase metade (49,3%) dos domicílios brasileiros, um dos maiores crescimentos do mundo.
Mesmo assim, usuários de diferentes operadoras continuam relatando quedas, lentidão e oscilações de desempenho, o que indica que ampliar a infraestrutura não tem sido suficiente para garantir uma experiência estável.
“Instalar fibra é só parte da equação. Sem monitoramento constante e inteligência para gerenciar o tráfego, a promessa de alta velocidade vira instabilidade recorrente”, afirma Carlos Duran, gerente de TI da Unentel.
Apesar do aumento de cobertura, muitos provedores têm pouca visibilidade sobre o que acontece na rede ao longo do dia. Eventos de pico, rotas congestionadas e equipamentos sobrecarregados costumam gerar as maiores queixas, por isso, é comum ver relatos de queda de conexão mesmo em planos anunciados como “100% fibra”.
O retrato brasileiro também é desigual. Segundo o Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações (PERT/Anatel), 1.207 municípios ainda não contam com backhaul óptico, infraestrutura que sustenta o desempenho da rede. Nessas áreas, a experiência do usuário tende a ser limitada, independentemente da tecnologia instalada no ponto de acesso.
“Quando a operação acompanha o comportamento da rede em tempo real, trabalha com rotas alternativas e age antes que o usuário perceba o problema. É assim que a fibra deixa de ser só um cabo e passa a entregar consistência na conexão”, reforça Duran.
Para melhorar a estabilidade, o caminho passa por cuidar da operação da rede no dia a dia. Isso inclui acompanhar em tempo real onde a conexão está ficando mais lenta, redirecionar automaticamente o tráfego quando uma rota começa a falhar e fazer manutenção preventiva antes que o problema apareça para o usuário.
“Na prática, só instalar a tecnologia quase nunca será suficiente. É o monitoramento constante que evita quedas em horários de pico, reduz oscilações e garante que a velocidade contratada chegue de forma constante”, conclui Duran.
Fonte: Unentel