
*Por Júlia Brito
A evolução dos padrões celulares, do 2G ao 5G, é uma das mais impressionantes transformações tecnológicas das últimas décadas, revolucionando nossa forma de comunicação e interação. Cada nova geração trouxe consigo avanços significativos que não apenas aprimoraram a comunicação, mas também impulsionaram inovações em diversos setores.
O 2G deu início à era da digitalização nas comunicações móveis, permitindo o envio de mensagens SMS e melhorando a qualidade das chamadas de voz. Com o 3G, o acesso à internet móvel se tornou realidade, possibilitando chamadas de vídeo e uma conexão de dados mais eficiente. O surgimento do 4G consolidou o uso dos smartphones, com o advento de serviços de streaming e comércio eletrônico, transformando o celular em uma ferramenta essencial do nosso dia a dia.
Agora, com o 5G, uma nova era de conectividade se apresenta, oferecendo velocidades até 100 vezes mais rápidas que o 4G, baixa latência, que é o tempo que o sistema leva para transmitir dados entre dois pontos, e uma capacidade de rede amplamente expandida. Essa tecnologia não apenas melhora a experiência do usuário, mas também abre um leque de inovações, como cidades inteligentes, cirurgias remotas e veículos autônomos.
No Brasil, a implementação do 5G promete um impacto econômico expressivo, com a previsão de geração de bilhões de dólares em novos negócios e a criação de milhões de empregos nos próximos anos. O leilão do 5G em 2021 foi o maior da história da América Latina, arrecadando 47,2 bilhões de reais. A adoção do 5G vai além de uma simples atualização tecnológica; é uma oportunidade para impulsionar o potencial econômico e social do país em um mundo onde a conectividade se torna cada vez mais indispensável. Portanto, é crucial que o Brasil continue investindo em infraestrutura e políticas que promovam a inovação e a inclusão digital.
Para que as diferentes tecnologias celulares possam se conectar, é necessária uma padronização, ou seja, um conjunto de regras que todos os fabricantes e empresas de telecomunicações ao redor do mundo concordam em seguir. Essas regras são desenvolvidas no âmbito do 3GPP, uma organização que segue princípios de transparência, abertura e imparcialidade. Nela, representantes da indústria, instituições de pesquisa e da socidade desenvolvem tecnologias padronizadas que definem como as redes móveis interoperam. Imagine que cada produto ou serviço conectado é como um músico em uma orquestra. Para que a música soe bem, todos precisam seguir a mesma partitura. Da mesma forma, quando falamos de conectividade, todos precisam seguir os mesmos padrões para que dispositivos e redes funcionem harmoniosamente, independentemente de sua origem.
Esse processo é colaborativo e competitivo em sua origem, com participantes de diferentes países e setores contribuindo suas ideias e tecnologias para desenvolver as melhores soluções tecnológicas. Isso não só assegura que os dispositivos se conectem em qualquer lugar do mundo com alta performance, mas também estimula a inovação, já que as empresas estão continuamento investindo e buscando melhorar a tecnologia, trazendo novos avanços dentro desse conjunto de normas.
Nesse cenário, as patentes desempenham um papel crucial. Elas protegem as inovações tecnológicas desenvolvidas pelas empresas e instituições, possibilitando a colaboração no âmbito do 3GPP e garantindo que seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento sejam recompensados. As patentes incentivam a inovação contínua, pois oferecem segurança jurídica para que as empresas possam explorar suas invenções comercialmente. Além disso, elas facilitam a transferência de tecnologia entre empresas e sua disseminação no mercado, promovendo um ambiente colaborativo onde novas ideias podem florescer. No contexto do 5G, as patentes são fundamentais para assegurar a proteção das inovações e viabilizar o desenvolvimento de padrões robustos e eficientes, beneficiando toda a cadeia produtiva e os consumidores finais.
Os padrões celulares não apenas transformaram a comunicação, mas também criaram uma base para inovações futuras que podem resolver muitos dos desafios sociais e econômicos que enfrentamos hoje. O 5G está no centro dessa transformação, prometendo um futuro de conectividade que permitirá avanços tecnológicos capazes de moldar nosso mundo de maneiras ainda inimagináveis.
Sobre a autora:

*Julia Brito é brasileira e atua na sede de Bruxelas da Ericsson, na área de Advocacy com foco em Propriedade Intelectual. É formada em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e possui um LLM em Direito de Propriedade Intelectual e Concorrencial pelo Munich Intellectual Property Law Center.