Fuga dos cérebros: como empresas brasileiras de tecnologia podem competir com o mercado internacional?

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Imagem: Freepik

O mercado de tecnologia é um setor em grande expansão, e por isso tem atraído muitos interessados, afinal, o país precisa de milhares de profissionais para suprir a lacuna prevista nas posições de trabalho entre este ano e 2025. Além da questão da formação de novos profissionais, o Brasil e as empresas brasileiras têm de competir com gigantes da tecnologia de fora do país.

De acordo com um estudo da plataforma Icon Talent, os especialistas em tecnologia da informação (TI) são os mais buscados por empresas estrangeiras, e 75% dos profissionais do Brasil estão dispostos a deixar o mercado brasileiro para ganhar em dólar.

A pandemia certamente mudou completamente o cenário de trabalho no país e após mais de 4 anos do início daquele período, mesmo com algumas empresas retornando ao modelo presencial, muitos trabalhadores têm preferência pelo modelo híbrido ou home-office, que permite trabalhar também para empresas de fora do país de suas próprias casas.

A facilidade em ter um emprego que pode pagar em uma moeda mais forte, seja o dólar ou euro, em relação ao praticado pelas empresas brasileiras e a possibilidade de fornecer melhores condições para si e para os familiares, faz com que muitos profissionais optem por este movimento de oferecer sua mão de obra para empresas estrangeiras.

Este movimento, que é chamado de “fuga dos cérebros” não é uma novidade, mas tem ganhado cada vez mais adeptos com o passar dos anos, e o avanço da tecnologia em facilitar a possibilidade de executar o trabalho de qualquer lugar do mundo. Diante deste cenário, as empresas brasileiras precisam entender novas formas de manter os funcionários.

Oferecer um salário justo é o primeiro passo para que as empresas nacionais possam competir com o mercado de tecnologia estrangeiro, mas não é apenas sobre remuneração mensal ao fim do mês. Benefícios, flexibilidade e uma cultura bem definida fazem com que talentos se atraiam por empresas que apresentem estes cenários de maneira clara.

Mais do que atrair um talento, mantê-lo engajado e motivado é um dos principais desafios de qualquer empresa, em qualquer segmento. Um plano de carreira definido é um dos passos importantes deste processo, sabemos que hoje existe um processo de aceleração das fases dos profissionais de tecnologia, e isso muitas vezes pode influenciar na decisão do funcionário mudar de emprego, mas é importante que a empresa deixe bem claro, o que planeja para o mesmo.

Pode ser difícil competir com oportunidades internacionais para os talentos, mas não é impossível, é importante que as empresas de tecnologia brasileiras entendam as necessidade e vontades de seus funcionários, para que esta parceria seja a mais longa possível. Para o funcionário, é importante entender que as diretrizes trabalhistas de outros países são diferentes do Brasil em alguns aspectos, e fazer o balanço do que vale para si.

Em um mercado de trabalho tão dinâmico, o presente e o futuro podem ser pautados pela remuneração mensal em primeiro plano, mas os trabalhadores também estão mais do que nunca observando suas prioridades primeiro, como a saúde mental, o tempo de lazer com os familiares, evitando jornadas longas e exaustivas.

Todo este conjunto pode fazer com que o profissional decida entre fazer carreira em empresas nacionais ou internacionais. Cabe às multinacionais brasileiras, e empresas de grande e médio porte entenderem este cenário e apostarem nos seus diferenciais para segurar seus talentos em solo nacional.

Autor

João Gabriel é especialista em tecnologia com mais de 15 anos de experiência, além de Top Voice no LinkedIn e conduz o podcast Sem Rota no YouTube.

LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/joao-gabriel-matuto/


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