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Empresas ainda operam no retrovisor: só 4% das áreas de Supply Chain chegam à gestão preditiva

Publicado por: Redação
Empresas ainda operam no retrovisor: só 4% das áreas de Supply Chain chegam à gestão preditiva
(Imagem: Divulgação/Live University | INBRASC)

Estudo com forte presença de empresas bilionárias revela o paradoxo da gestão orientada por dados: 63% ainda usam planilhas, só 6% adotam IA preditiva e a capacidade analítica fica 16 pontos atrás da performance

Dados, sistemas integrados e inteligência artificial já fazem parte da gestão das empresas, mas ainda são pouco utilizados para antecipar problemas. O retrato aparece na primeira edição do Supply Chain Performance Index (SCPI), levantamento desenvolvido pela Live University | INBRASC para medir performance, maturidade de gestão e capacidade analítica, com forte presença de grandes organizações na amostra.

Apenas 4% das áreas pesquisadas chegaram a um estágio preditivo de gestão, no qual os indicadores permitem identificar desvios antes que eles afetem a operação. Outros 43% ainda atuam de forma corretiva, depois que o problema aparece, enquanto 53% não chegaram ao estágio de gestão efetiva dos indicadores.

Realizado em agosto de 2026, o levantamento ouviu profissionais de empresas entre as quais 62% faturam mais de R$ 300 milhões por ano e 52% superam R$ 1 bilhão. Diretores, heads, C-levels e gerentes representam 74% dos respondentes.

A contradição aparece na distância entre adoção tecnológica e capacidade de análise: as empresas já incorporaram ferramentas digitais e inteligência artificial à gestão, mas 63% ainda recorrem a planilhas para acompanhar indicadores. Outros 31% não utilizam inteligência artificial nessa atividade e apenas 33% comparam suas metas com referências externas de mercado.

Empresas entregam mais do que sua estrutura analítica sugere

O resultado mais relevante do estudo aparece na comparação entre execução e capacidade de análise.

Em uma escala de zero a 100, a performance das empresas alcançou 62 pontos. A maturidade na gestão dos indicadores ficou em 59. Já a capacidade analítica marcou apenas 46 pontos.

“As empresas já conseguem medir muita coisa. O desafio agora é deixar de usar o indicador apenas para explicar o que aconteceu e passar a utilizá-lo para decidir o que fazer antes que o problema aconteça. É justamente nessa passagem da gestão corretiva para a preditiva que encontramos o maior espaço de evolução.” Alex Leite, Diretor Corporativo.

A distância de 16 pontos entre performance e capacidade analítica mostra que as empresas ainda conseguem entregar resultados superiores à estrutura disponível para analisar informações e apoiar decisões.

O estudo chegou ainda a uma conclusão que contraria uma hipótese recorrente no ambiente corporativo: gerir melhor os indicadores não apresentou relação direta com melhor performance. Características do setor e do modelo de negócio exerceram influência maior sobre os resultados observados.

O dado coloca uma questão importante para as empresas. Bons resultados operacionais ainda convivem com baixa capacidade de previsão, mas esse equilíbrio tende a ficar mais difícil diante de operações mais complexas, maior pressão por eficiência e decisões cada vez mais rápidas.

Empresas adotam IA, mas ainda administram olhando pelo retrovisor

A periodicidade dos indicadores ajuda a explicar essa diferença. O acompanhamento mensal ainda é o mais comum, presente em 44% das respostas. Apenas 6% monitoram seus indicadores em tempo real.

Na prática, parte das empresas já possui dados e tecnologia, mas ainda usa essas informações principalmente para entender o que aconteceu, e não para antecipar o que pode acontecer.

Esse cenário ganha relevância diante da pressão por custos. O peso do custo logístico sobre a receita aparece entre os indicadores mais importantes para 59% das empresas. Entregas completas e dentro do prazo e o tempo entre pedido e entrega aparecem com 47% cada.

Nos próximos 12 meses, o custo logístico sobre a receita será o principal indicador na agenda de 55% das empresas pesquisadas. OTIF, que mede entregas completas e no prazo, aparece com 38%, seguido pela acurácia da previsão de demanda, com 32%.

Mesmo com limitações analíticas, os resultados permanecem relevantes. Mais da metade das empresas mantém custos logísticos equivalentes a até 5% da receita e 39% entregam mais de 93% dos pedidos completos e dentro do prazo.

Pessoas ainda são o principal gargalo

A dificuldade para avançar não está apenas na tecnologia.

Capacitação da equipe é a principal barreira para melhorar o desempenho dos indicadores, citada por 57% das empresas. Sistemas antigos e dificuldades de integração aparecem com 49%, enquanto qualidade dos dados e complexidade operacional chegam a 45%.

A mesma questão aparece quando as empresas apontam os fatores necessários para elevar a maturidade da gestão. Capacitação lidera novamente, com 57%, seguida por ferramentas de análise e visualização de dados, com 51%, e cultura de decisões baseadas em dados, com 47%.

Os números mostram uma mudança no desafio da transformação digital. A discussão já não se resume a ter dados, dashboards ou inteligência artificial. O ponto central passa a ser a capacidade de transformar informação em decisão antes que o problema apareça.

As empresas ainda conseguem entregar mais do que sua estrutura analítica sugeriria. A questão agora é por quanto tempo esse modelo será suficiente.

Sobre a Live University | INBRASC

A Live University | INBRASC é um ecossistema de educação, conexão e inteligência voltado às áreas de Supply Chain, Compras e Logística. Atua com formação executiva, MBAs, pós-graduações, eventos, comunidades profissionais e pesquisas de mercado, aproximando conhecimento acadêmico dos desafios reais enfrentados pelas empresas.

O Supply Chain Performance Index (SCPI) é um índice desenvolvido pela área de Market Insights da Live University | INBRASC para avaliar performance, maturidade na gestão de indicadores e capacidade analítica. A primeira edição foi realizada em 2026.

Fonte: Live University | INBRASC