Como a ideia de substituir colaboradores por máquinas afeta o mercado de trabalho?

Máquinas no mercado de trabalho.
Imagem: BlackJack3D / Getty Images / Canva

Embora a tecnologia contribua para o ganho de eficiência, a mesma também gera insegurança em profissionais de empresas ao redor do mundo

O debate sobre a máquina substituir o homem não é atual. Desde a Revolução Industrial, marcada pela incorporação de máquinas capazes de realizar o trabalho humano com maior eficiência e agilidade, a cada novo lançamento tecnológico, o tema ressurge com novas apostas e perspectivas de reflexo para o mercado de trabalho. Agora, com o ChatGPT os impactos estão sendo sentidos dentro das corporações em áreas mais criativas, especialmente por profissionais que temerem as demissões. 

A OpenAI, criadora da ferramenta, publicou uma análise que mostra que 80% dos empregos nos EUA podem ser afetados em pelo menos 10% das tarefas de rotina. E quase 20% da força de trabalho norte-americana pode assistir a 50% do trabalho serem modificados pela tecnologia. A lista de profissões mais afetadas inclui intérpretes e tradutores, poetas, escritores, especialistas em relações públicas, matemáticos e contadores de impostos. 

“Mesmo que o estudo tenha analisado um país norte-americano, podemos esperar consequências no Brasil também. Afinal, o ganho de produtividade é foco em empresas ao redor do mundo. O que percebemos é que as áreas mais afetadas são de programação e escrita, ao passo que as que envolvem habilidades científicas e de pensamentos críticos são menos. E isso já afeta trabalhadores dessas áreas, que vislumbram mudar de carreira ou apostar em novos campos de aprimoramento para se tornarem essenciais”, afirma Ana Paula Prado, CEO do Infojobs. 

Porém, é válido observar que a pesquisa aponta como a tecnologia afeta as áreas, mas que isso necessariamente não implica em substituição, podemos enxergar também uma forma de ganho de performance e incentivo à adaptação das demandas de mercado. Além disso, o surgimento de novas alternativas tecnológicas tem potencial para impulsionar a criação de outras profissões. A ascensão das redes sociais, por exemplo, impulsionou o surgimento de influenciadores digitais, o que transformou a maneira de comunicar, consumir e realizar publicidade. A partir da popularização do ChatGPT, há uma busca por gerente e pesquisador de Chatbot, especialista em Inteligência Artificial e Machine Learning e Engenheiro de Dados para Chatbot. 

De acordo com a executiva, diante do cenário, devemos buscar desenvolvimento constante e ter atenção quanto às mudanças no mercado. A tecnologia pode ser uma grande aliada para processos burocráticos e repetitivos, mas não substitui as relações humanas ou a experiência em uma jornada, uma vez que são ferramentas que precisam ser gerenciadas por humanos e até mesmo ter as entregar revisadas. Lembrar desses pontos constantemente é fundamental. 

O papel das empresas frente à modernização 

Para a CEO, os novos lançamentos chegam para somar com as empresas. Falando do próprio ChatGPT, há um enorme ganho no recrutamento e seleção, com a possibilidade de descrever vagas com maior eficiência, apoiar em testes e perguntas para entrevistas e até mesmo na comunicação com candidatos e colaboradores. 

“Falando do anúncio de vagas, atualmente um profissional de RH pode demorar até duas horas para levantar todas as informações necessárias e elaborar um descritivo. Isso torna o processo moroso e também atrasa o recebimento de candidaturas, etapa que pode ser facilitada com o uso do ChatGPT.  No entanto, mesmo que as alternativas chegam para somar, ainda podem gerar consequências para os profissionais, que ao se sentirem ameaçados por novas ferramentas, podem assumir grande volume de trabalho, gerando estresse, ansiedade e alguns casos, Síndrome de Burnout”, explica a Ana Paula.  

Cabe às empresas e lideranças passarem segurança diariamente aos colaboradores, mostrando empatia e apostando no desenvolvimento de habilidades técnicas e sociais para que continuem contribuindo com a organização, porém com mais estratégia e eficiência.

*Fonte: Infojobs


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