
A 4ª edição do Amigos do Cadastro reuniu especialistas do setor e reforçou que I.A só gera resultados consistentes quando sustentada por dados confiáveis, padronizados e bem governados
A expansão da inteligência artificial nas empresas está provocando uma mudança significativa no perfil dos profissionais responsáveis pelo cadastro e pela gestão de dados mestres. Antes associada principalmente a atividades operacionais e de digitação, a função passa a ocupar uma posição estratégica dentro das organizações, exigindo conhecimento sobre processos de negócio, integrações de sistemas, governança de dados e validação de informações.
A transformação foi um dos principais temas debatidos durante a quarta edição do evento Amigos do Cadastro, realizado em 19 de agosto, em São Paulo, que já é considerado o maior evento nacional sobre master data management e reuniu profissionais das áreas de dados, tecnologia, processos e governança para discutir os desafios da administração de informações corporativas em um ambiente cada vez mais orientado por inteligência artificial.
Para os especialistas presentes no encontro, o crescimento do uso de IA está reforçando a importância da qualidade dos dados utilizados pelas organizações. A avaliação é que sistemas inteligentes dependem de informações estruturadas, consistentes e governadas para gerar resultados confiáveis.
“Neste mundo dinâmico da inteligência artificial, nada mais importante do que dados qualificados. Para qualificar esses dados, é preciso ter pessoas engajadas, processos bem definidos e uma tecnologia que se encaixe na operação da empresa”, afirmou Paulo Cordeiro, CEO da 4MDG.
Segundo ele, problemas relacionados ao cadastro podem impactar diretamente áreas como ERP, operações fiscais, logística, compras e processos regulatórios, gerando retrabalho, inconsistências entre sistemas e dificuldades na tomada de decisão.
De digitador a gestor de informações
A evolução do papel dos analistas de cadastro foi destacada por Flávio Souza, CPO da 4MDG, e Cesar Coelho, CTO da empresa. De acordo com os executivos, os ambientes corporativos se tornaram mais complexos e integrados nas últimas duas décadas, ampliando a responsabilidade dos profissionais que atuam na gestão de dados mestres.
“Antes a atividade era associada à digitação. Hoje, o analista de cadastro precisa entender o processo de ponta a ponta, saber de onde vem o dado, quem vai consumir essa informação e quais integrações dependem dela”, disse Souza.
Nesse contexto, atividades ligadas à documentação de processos, definição de regras de negócio, integração por APIs, monitoramento de sistemas e garantia da rastreabilidade passam a fazer parte da rotina desses profissionais.
Para Coelho, a documentação tornou-se um elemento essencial para reduzir riscos operacionais e garantir a continuidade dos processos.
“A documentação do workflow, das regras, das etapas e das integrações precisa acompanhar a operação. Quando esse conhecimento fica apenas com as pessoas do projeto, a empresa perde rastreabilidade e aumenta o risco no go live e na sustentação”, afirmou.
IA assume tarefas repetitivas, mas decisão continua humana
Durante o encontro, também foram apresentados exemplos de aplicação de inteligência artificial em processos de cadastro e gestão de dados mestres.
Uma das demonstrações mostrou uma solução capaz de utilizar a imagem de um produto como ponto de partida para criar registros cadastrais. A ferramenta identifica o item, sugere descrições, aponta atributos obrigatórios, recomenda categorias e detecta possíveis similaridades com registros já existentes.
Apesar do avanço da automação, os participantes defenderam que a tecnologia deve atuar como apoio aos profissionais, e não como substituição completa da atividade humana.
A avaliação predominante foi que a inteligência artificial tende a assumir tarefas repetitivas e operacionais, enquanto os especialistas ficam responsáveis pela análise crítica, validação das informações e tomada de decisão.