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Atual resolução conjunta do Banco Central do Brasil traz novo patamar de maturidade operacional para o setor financeiro

Publicado por: Redação Escrito por: Cesar Gomes
Resolução conjunta do Banco Central do Brasil.
(Imagem: Falando Tech)

O Banco Central do Brasil, ou Bacen, em conjunto com o Conselho Monetário Nacional, publicou, recentemente, a Resolução Conjunta nº 18, estabelecendo um novo marco regulatório no país. A partir da data de publicação, as instituições financeiras serão obrigadas a criar uma estrutura formal de governança de dados, com responsabilidade clara da alta gestão, para garantir que informações enviadas ao Banco Central sejam sempre de qualidade. As empresas da área que não cumprirem com o marco serão penalizadas por meio de sanções regulatórias, o que pode nos levar a um novo patamar de maturidade do setor no que tange à governança de dados como um todo. 

Em essência, a norma trata de qualidade e governança de dados. Ela recomenda políticas, controles e responsabilidade da alta administração sobre as informações enviadas ao Banco Central do Brasil. Na prática, isso significa estabelecer fluxos consistentes de coleta, tratamento, qualidade e disponibilização desses dados, garantindo que sejam confiáveis, rastreáveis e utilizáveis para tomada de decisão. 

A norma também exige a implementação de controles e procedimentos contínuos para assegurar a qualidade, consistência e rastreabilidade dos dados, bem como uma estrutura de governança que defina responsabilidades claras sobre sua geração, validação e envio ao regulador. 

Dessa forma, a resolução reforça que uma governança de dados eficaz depende de uma arquitetura robusta e integrada, elevando o nível de responsabilidade da governança corporativa. Toda informação relevante deve ser documentada, rastreável e auditável, o que representa uma mudança cultural profunda para organizações que ainda operam com processos informais ou dependentes de decisões individuais e concentradas. 

Essa resolução não é apenas um movimento regulatório, mas uma aceleração inevitável rumo à maturidade de dados e governança do sistema financeiro. A complexidade crescente dos ambientes digitais, especialmente em arquiteturas distribuídas e altamente escaláveis, torna inviável qualquer modelo de gestão que não seja baseado em observabilidade, automação e governança estruturada. 

O que vemos é um reforço da necessidade de controles internos consistentes e monitoramento contínuo da qualidade dos dados, estruturados a partir das 12 dimensões de qualidade definidas pelo Banco Central (como acurácia, completude, consistência e tempestividade), com foco em governança, rastreabilidade e validação das informações. Esse fortalecimento da base de dados cria um ambiente mais confiável e organizado, que naturalmente favorece o uso de tecnologias avançadas.  

Nesse contexto, o avanço da Inteligência Artificial nas empresas, já adotada ou testada por cerca de 64% das organizações, segundo estudo da McKinsey (2025), encontra na governança de dados um elemento essencial para gerar resultados consistentes, ainda que a resolução não imponha o uso de IA nem estabeleça requisitos tecnológicos específicos. 

Mais do que uma obrigação, a Resolução Conjunta nº 18 cria uma oportunidade estratégica: empresas que já operam com disciplina tecnológica, com métricas, rastreabilidade e processos bem definidos, tendem a se adaptar com mais velocidade e menor custo. Por outro lado, organizações que ainda dependem de controles manuais ou baixa visibilidade operacional enfrentarão um processo mais oneroso de adequação. 

No fim, a diferença estará na capacidade de transformar a exigência em vantagem competitiva. 

Cesar Gomes

Escrito por: Cesar Gomes

*Cesar Gomes é Vice-Presidente da Cloudera no Brasil