CI&T e MIT revelam por que 95% dos projetos de IA fracassam

Relatório da CI&T com o MIT revela que 95% dos projetos de IA fracassam por barreiras culturais, não tecnológicas

Projetos, tecnologia e falhas.
(Imagem: Falando Tech)

A CI&T, em parceria com a MIT Sloan Management Review Brasil, acaba de anunciar o relatório “A Cultura Come a IA no Café da Manhã”. O estudo traz um diagnóstico severo sobre o estado atual da transformação digital: apesar do hype global, 95% das iniciativas de transformação em IA fracassam e a barreira, segundo estudos do MIT, não é a capacidade dos modelos, mas a incapacidade humana de adaptar processos herdados da era industrial.

O fator humano e o vácuo de narrativa

Cesar Gon, fundador e CEO da CI&T, multinacional brasileira focada em soluções de IA, utiliza o relatório para fazer uma provocação direta às lideranças corporativas.

“Peter Drucker dizia que a cultura come a estratégia no café da manhã. Se isso é verdade, e eu acredito que seja, então a cultura come a IA em todas as refeições do dia”, afirma Gon. “A tecnologia funcionou. Nós, não. No fim, a velocidade de mudança de uma organização é limitada pela velocidade com que ela aprende.”

Segundo o executivo, o fracasso da maioria dos pilotos ocorre devido a um “vácuo de narrativa”.

“Quando a IA é percebida como substituta de pessoas, ela gera medo e resistência silenciosa. As empresas que vencem são as que têm coragem de redesenhar sua cultura, trocando o medo por propósito, governança e uma força de trabalho super-humana.”

A visão do MIT: era da “Agentic AI”

O relatório dialoga com as tendências globais de Agentic AI (IA Agêntica), projetando que, até 2028, um terço das interações digitais será mediado por agentes autônomos.

“A discussão sobre inteligência artificial deixou de ser apenas tecnológica. A transição da IA Generativa, baseada em chatbots, para sistemas agênticos capazes de tomar decisões e executar ações exige uma mudança profunda nos modelos de gestão. As organizações ainda tentam operar tecnologias exponenciais com estruturas de liderança, governança e cultura herdadas, o que faz do desafio atual essencialmente organizacional. A tecnologia avançou mais rápido do que a capacidade das empresas de absorvê-la com clareza de propósito, novos sistemas de decisão e responsabilidade institucional, reforçando a importância de formar lideranças preparadas para conduzir o futuro da IA”, afirma Douglas Souza, CEO do MIT Sloan Management Brasil.

Dados: a compressão radical do tempo

Para as empresas que conseguem superar a barreira cultural e entrar na fase de “IA Orquestrada”, o relatório apresenta dados de impacto financeiro e operacional que justificam a transformação:

• Aceleração de mercado: O ciclo “Idea-to-Market”, que na era pré-digital levava 28 meses e na era digital caiu para 9 meses, agora pode ser executado em dias.

• Produtividade exponencial: A orquestração correta de agentes autônomos pode gerar ganhos de produtividade de até 20 vezes (comparado a 2x com o uso isolado de copilotos).

• Resultados financeiros imediatos: Em casos reais de clientes da CI&T, a aplicação do framework gerou 8,4% de receita B2B incremental já no primeiro mês e aumentou a conversão de vendas em 300%.

• Eficiência operacional: Redução de 65% nos custos de nuvem em apenas 70 dias e economia de 900 horas/mês para equipes de coordenação.

Um caminho em três atos

Para sair da estatística de fracasso, a CI&T propõe no estudo uma jornada baseada em princípios Lean e no sistema de gestão dividido em três atos: Experimentação (pilotos táticos), Aceleração (governança e escala) e Disrupção (reinvenção do modelo de negócio).

“A lacuna entre o que é tecnologicamente possível e o que é sábio está se ampliando”, conclui Cesar Gon. “Este paper é nossa tentativa de fechar essa lacuna, oferecendo um mapa para sair da experimentação isolada e avançar para um aprendizado repetível e escalável”.

Fonte: CI&T


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