A nova corrida do dado e o redesenho da estratégia digital em 2026

PIB, mercado
(Imagem: Falando Tech)

Com a chegada de 2026, a transformação digital entra definitivamente em sua fase estratégica. O debate já não gira em torno de adotar ou não a nuvem, mas de como estruturar ambientes capazes de sustentar crescimento, inovação e conformidade em um cenário cada vez mais regulado e distribuído. Multicloud, soberania digital e compliance deixam de ser tendências emergentes e passam a formar o núcleo das decisões corporativas para os próximos anos.

Esse movimento se reflete diretamente nas escolhas de arquitetura. O Gartner prevê que 90% das organizações adotarão uma abordagem de nuvem híbrida até 2027, sinalizando uma mudança clara de mentalidade: a nuvem única já não responde, sozinha, às demandas de desempenho, segurança, regulação e continuidade dos negócios. Ao olhar para 2026, esse dado deixa evidente que a flexibilidade deixou de ser diferencial e passou a ser requisito básico.

A adoção de ambientes híbridos e multicloud, no entanto, amplia a complexidade da governança da informação. Leis de proteção de dados, exigências de soberania digital e normas setoriais tornam a localização do dado tão estratégica quanto sua disponibilidade. Nesse contexto, decidir onde a informação reside passa a ser uma escolha de risco, compliance e reputação, e não apenas de custo ou performance.

O desafio se intensifica quando essa arquitetura encontra a realidade das ameaças cibernéticas. Segundo o Veeam Data Protection Trends Report 2025, 69% das organizações vítimas de ransomware acreditavam estar preparadas antes do ataque, mas relataram que o nível de confiança caiu em mais de 20% após o incidente. O dado revela um ponto sensível para o futuro próximo: muitas estratégias falham não pela ausência de tecnologia, mas pela confiança excessiva em estruturas que não foram pensadas para ambientes híbridos, distribuídos e altamente regulados.

Para 2026, essa combinação de dispersão de dados, pressão regulatória e ataques cada vez mais sofisticados exige uma mudança de abordagem. Segurança, soberania digital e compliance não podem mais ser tratados como camadas adicionadas ao final dos projetos. Eles precisam nascer junto com a arquitetura, orientando decisões desde o desenho inicial até a operação contínua.

Olhando adiante, a nova corrida do dado não será vencida por quem adotar mais plataformas ou acelerar migrações, mas por quem souber orquestrar ambientes híbridos e multicloud com governança, clareza regulatória e foco em resiliência. Compliance deixará de ser um entrave e passará a indicar maturidade digital. E soberania digital será cada vez menos discurso e cada vez mais critério técnico de decisão.

Em um mundo onde os dados estão em múltiplas nuvens, sistemas e fronteiras legais, liderar em 2026 será transformar complexidade em estratégia, antes que ela se transforme em risco.

Escrito por: José Roberto Rodrigues

José Roberto Rodrigues é country manager e Alliances manager LATAM da Adistec Brasil.


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